Gastroenterologia e Cirurgia do aparelho digestivo

O que é e o que trata?

A gastroenterologia e a cirurgia do aparelho digestivo, são áreas que se complementam, possibilitando o tratamento clinico e cirúrgico das doenças que acometem os principais órgãos do aparelho digestório: esôfago, fígado, vesícula biliar, estômago , duodeno, jejuno, íleo, intestino delgado e intestino grosso.

Colelitíase (pedra na vesícula)

Imagem Colecistectomia

O que é colelitíase?

É a presença de pedras na interior da vesícula biliar. A vesícula é um pequeno órgão em forma de saco, junto ao fígado. Ela armazena a bile, um líquido amarelo esverdeado espesso produzido pelo fígado. Após a alimentação, a vesícula se contrai liberando bile em uma porção do intestino chamada duodeno, ao entrar em contato com o alimento a bile digere as gorduras e ajuda na absorção de importantes nutrientes como as vitaminas A,D,E e K.

Como são formadas as pedras na vesícula?

A bile é excretada pelo fígado e segue pelos ductos biliares para chegar ao duodeno. Ela é composta por água, colesterol, sais biliares e lecitina. Em equilíbrio, estas substâncias mantêm a bile em estado líquido. Quando uma dessas substancias é produzida em excesso pelo fígado, pequenos grânulos se formam. Estes grânulos se agrupam levando à formação dos cálculos biliares.

A formação destes cálculos está mais relacionada a fatores metabólicos, hereditários e orgânicos do que à ingestão alimentar, então a alimentação não interfere muito neste processo.

Todas as pedras são iguais?

Não, podem ser encontradas na vesícula pedras de colesterol ou de sais biliares; uma ou várias pedras; pedras pequenas, como grãos de areia ou grandes.

Quais são os fatores de risco?

  • Mulheres em idade fértil, principalmente por volta dos 40 anos.
  • Mulheres que tiveram múltiplas gestações.
  • Obesidade.
  • Emagrecimento acentuado: aumenta a perda de colesterol na bile.
  • Uso de contraceptivos orais.
  • Gravidez.
  • Sedentarismo.
  • Idade avançada.
  • Úlceras duodenais: provocam certa estase da vesícula facilitando a formação de cálculos.
  • Pacientes submetidos a cirurgias gástricas para tratamento de obesidade, câncer ou úlceras podem ter maior propensão a formar cálculos biliares.
  • Anemia hemolítica crônica.
  • Uso de dieta parenteral.

O que sente uma pessoa com cálculos na vesícula?

Muitas pessoas com pedras na vesícula não apresentam sintomas e nem sequer sabem desta condição. Às vezes, descobrem estes cálculos quando estão investigando alguma outra patologia.

Para aqueles que apresentam sintomas, geralmente observa-se:

  • Intolerância quando ingerem alimentos gordurosos como frituras, gema de ovo, carnes gordurosas, etc.

  • Mal estar e dor de cabeça podem estar presentes.

  • Nos quadros mais agudos, há uma dor abdominal intensa, constante, no lado direito do abdome abaixo da costela, próximo ao estômago ou nas costas. A dor é forte, súbita e localizada e o abdome fica endurecido. Dura de 30 minutos a 5 horas.

  • Náuseas, vômitos acompanham com frequência a dor abdominal.

Quais são as complicações da colelitíase?

As principais complicações são:

  • Cólica biliar: ocorre quando uma das pedras fica presa na saída da vesícula impedindo o fluxo de bile, levando a uma distensão da vesícula e a um esforço para expelir a bile durante a alimentação. O resultado é uma dor tipo cólica.

  • Colecistite aguda: quando a pedra fica presa logo na saída da vesícula por um período prolongado a distensão da vesícula leva a uma inflamação aguda da vesícula biliar com dor intensa e constante, a colecistite aguda.

  • Coledocolitíase: ocorre quando uma pedra da vesícula biliar sai de dentro dela e fica presa no canal que leva a bile desde o fígado até o duodeno. Este canal chama-se ducto colédoco. Nestes casos o paciente pode ficar ictérico (pele e parte branca dos olhos ficam amareladas), pois a bile fica acumulada no fígado e na corrente sanguínea. Dores em cólica para alimentar-se também podem ocorrer.

  • Colangite: se uma pedra que sair da vesícula biliar obstruir o ducto colédoco as bactérias do duodeno podem causar uma infecção neste canal. Essa infecção chama-se colangite. Além do amarelão o paciente tem febre e mau estar e precisa ser internado para tratamento.

  • Pancreatite: é a inflamação do pâncreas. O canal que leva a bile da vesícula para o intestino passa dentro do pâncreas e se junta com o canal principal que drena o suco pancreático. Quando uma pedra da vesícula obstrui esses ductos, o suco pancreático fica retido e acaba agredindo o próprio pâncreas. Nesse caso o paciente também precisa ser internado para tratamento.

Como é feito o diagnóstico da colelitíase?

O exame mais preciso para o diagnóstico é a ultrassonografia abdominal.
Exames radiológicos podem evidenciar pedras, muitas vezes em exames de rotina, sem que haja sintomas.

Como é o tratamento da colelitíase?

Existem pontos de vista conflitantes a respeito do tratamento de pacientes assintomáticos com pedras na vesícula. Alguns médicos defendem que eles devem ser operados, outros propõem que devem ser simplesmente acompanhados. Deve-se levar em consideração os riscos advindos das complicações e os riscos cirúrgicos nestes casos. A última palavra será sempre dada pelo paciente, após receber as orientações médicas adequadas.

Nos casos em que a cirurgia é realizada, podem ser usadas duas técnicas, a cirurgia aberta ou a cirurgia por via laparoscópica.

Quais as vantagens e as desvantagens de cada técnica cirúrgica?

  • Colecistectomia videolaparoscópica. São feitas quatro punções, em uma delas entra um sistema ótico conectado a uma microcâmera e a vesícula é retirada por um desses orifícios. A recuperação é mais rápida e o paciente geralmente apresenta menos dor no pós-operatório. Hoje em dia este é o tratamento de escolha para a maioria dos pacientes.

  • Colecistectomia aberta. É realizada com uma incisão que varia de 10 a 30 cm. O paciente permanece internado em média 3 dias e necessita de um tempo de recuperação de cerca de 30 dias para retornar às suas atividades físicas.

Procedimento

A cirurgia de pedra na vesícula também é chamada de colecistectomia e é realizada pela técnica de laparoscopia. A laparoscopia é um procedimento minimamente invasivo em que a cirurgia é filmada com uma câmera de vídeo enquanto o cirurgião usa pinças específicas para retirar a vesícula. Muitas vezes essa técnica é confundida com “cirurgia a laser”, mas nenhum raio laser é emitido no paciente.

Para essa cirurgia o paciente precisa ficar em jejum por pelo menos 8 horas e internar cerca de 2 horas antes do horário da cirurgia. De uma forma geral a cirurgia é tranquila, não dura mais do que 2 horas. Se a recuperação após a cirurgia for rápida, o paciente pode receber alta no mesmo dia.

Durante a recuperação em casa o paciente deve manter repouso por 1 semana, evitando esforço físico e dirigir. Trabalho de escritório pode ser realizado sem restrições.

Após a retirada da vesícula os pacientes passam por um período de adaptação sistema digestivo. Nesse período pode haver dificuldade na digestão de alimentos gordurosos. Alguns pacientes ficam com sensação de estufamento após as refeições, outros podem ter diarréias. Esses sintomas costumam ser passageiros e o paciente, em geral, se recupera plenamente em até 3 meses.

Intolerância Alimentar (lactose e glúten)

Imagem Intolerância Alimentar (lactose e glúten)

Hoje em dia sabemos que existem alimentos que geram intolerância alimentar, como o glúten e a lactose, muitas vezes sintomas como diarreia e dores abdominais estão associados a essas intolerâncias, mas por ser algo que acompanha o paciente muitas vezes de longa data, passa se por sintomas normais e não são diagnosticadas. Hoje conseguimos diagnosticar e proporcionar uma qualidade de vida melhor ao paciente.

Hérnia de hiato

Imagem Hérnia de hiato

O que é hérnia de hiato?

O músculo diafragma, localizado na transição entre o tórax e o abdome, separa as duas cavidades corporais. Neste músculo existe um orifício, conhecido por hiato esofágico, por onde o esôfago penetra na cavidade abdominal antes de se ligar ao estômago. A hérnia de hiato caracteriza-se por um enfraquecimento do diafragma e alargamento do orifício nele contido, pelo qual uma parte do estômago desliza em direção ao tórax.

Quais são as causas da hérnia de hiato?

Não é fácil determinar-se a causa específica da hérnia de hiato, mas sabe-se que além dos problemas genéticos alguns outros fatores facilitam as hérnias em geral: idade avançada; excesso de peso; traumas abdominais e a prática de esportes que forcem a musculatura abdominal, como musculação e halterofilismo.

Quais são os sinais e sintomas da hérnia de hiato?

Na ligação do esôfago com o estômago existe um músculo (músculo do esfíncter esofágico inferior) que se abre para permitir a passagem dos alimentos para o estômago e se fecha para impedir que os ácidos estomacais subam para o esôfago. Qualquer alteração nesse mecanismo pode provocar refluxo esofágico (retorno do conteúdo do estômago para o esôfago) e a maior parte dos sintomas das hérnias de hiato decorre desse defeito, uma vez que, como a mucosa do esôfago não está preparada para receber o conteúdo ácido do estômago, ocorre uma inflamação do esôfago (esofagite).

Os principais sintomas da hérnia de hiato são: azia, eructações (arrotos) e refluxo dos ácidos estomacais que podem alcançar a garganta e provocar tosse ou sensação de vômito.

Como o médico diagnostica a hérnia de hiato?

O diagnóstico de suspeita da hérnia de hiato é feito pela história clínica. O diagnóstico de certeza é feito por exames complementares.

Como se trata a hérnia de hiato?

O tratamento da hérnia de hiato pode ser clínico ou cirúrgico, na dependência do tamanho da hérnia e da intensidade do refluxo esofágico. A hérnia de hiato costuma responder bem ao tratamento clínico. Alguns casos necessitam de tratamento cirúrgico, o qual pode ser feito por laparoscopia.

Como evoluem as hérnias de hiato?

Normalmente as hérnias de hiato são facilmente tratáveis. A principal complicação que pode advir do refluxo esofágico é o esôfago de Barrett, uma doença na qual há uma metaplasia das células da parte inferior do esôfago, causada por uma exposição prolongada ao conteúdo ácido do estômago.

Refluxo Gastroesofágico - tratamento clínico e cirúrgico

Imagem Refluxo Gastroesofágico

O que é?

É uma condição decorrente do retorno de conteúdo ácido do estômago para o esôfago, acarretando sintomas variados que podem estar associados ou não a inflamação do esôfago que também é chamada de esofagite.

Quais são as causas?

O refluxo ocorre quando o músculo localizado no fim do esôfago, chamado de esfíncter inferior do esôfago, não funciona adequadamente. Este músculo deveria estar fechado na maior parte do tempo, abrindo apenas para a entrada de alimentos no estômago. Mas ele pode apresentar uma certa incapacidade e não se fechar completamente, o que permite o retorno do conteúdo do estômago para o esôfago.

Outras situações podem contribuir para o refluxo, como a elevada produção de ácido gástrico, obesidade, gravidez e hérnia de hiato.

O que sente o portador desta condição?

As principais manifestações clínicas são:

  • Pirose (azia): sensação de queimação no peito, atrás do esterno, que pode chegar até a garganta. Este é o sintoma mais comum do refluxo, podendo piorar quando a pessoa come, agacha ou deita. Às vezes ela é confundida com infarto do miocárdio ou angina
  • Sensação de plenitude gástrica: relatada pelos pacientes como inchaço no estômago ou má digestão
  • Dor em queimação na “boca do estômago” (abdome superior), que normalmente acorda a pessoa no meio da noite
  • Sensação de “bolo”na garganta
  • Náuseas
  • Excesso de salivação
  • Regurgitação ácida: refluxo de líquidos ou alimentos do estômago à boca
  • Disfagia (dificuldade para engolir): manifestada por engasgos
  • Sensação de asfixia noturna
  • Rouquidão, principalmente pela manhã
  • Dor de garganta
  • Pigarro ou necessidade de limpar a garganta repetidamente
  • Tosse crônica, pneumonias de repetição, asma, sinusite crônica
  • Desgaste do esmalte dentário, halitose (mau-hálito)

A intensidade e a freqüência dos sintomas não são sinais de gravidade da esofagite. Mas existe correlação entre o tempo de duração dos sintomas e o aumento do risco para o desenvolvimento do Esôfago de Barrett e do adenocarcinoma (câncer) do esôfago.

Como o médico faz o diagnóstico?

O diagnóstico é realizado a partir de uma história clínica detalhada. Os pacientes que apresentam sintomas com freqüência mínima de duas vezes por semana, ao longo de 4 a 8 semanas, devem ser considerados possíveis portadores da DRGE.

Como as manifestações clínicas são variadas, podem ser necessários exames complementares como a endoscopia digestiva alta, exame radiológico contrastado do esôfago, cintilografia, manometria, pHmetria de 24 horas ou teste terapêutico para auxiliar no diagnóstico.

A endoscopia digestiva alta é importante nos pacientes que apresentam “manifestações de alarme”. Mas é importante saber que uma endoscopia normal não exclui o diagnóstico de DRGE, pois ela pode estar normal em 25-40% dos pacientes com DRGE.

Quais as opções de tratamento disponíveis?

Existem dois tipos de tratamento: as medidas comportamentais (mudanças de hábitos) e as farmacológicas (uso de medicamentos). Elas devem ser implementadas simultaneamente em todas as fases da doença.

Pacientes conscientes da importância de modificar o seu estilo de vida ajudam muito no tratamento.

Fazem parte das medidas comportamentais:

  • Elevação da cabeceira da cama em 15 centímetros para dificultar o refluxo de alimentos do estômago para o esôfago.
  • Moderada ingestão de alimentos gordurosos, cítricos, café, bebidas alcoólicas, bebidas gasosas, menta, hortelã, produtos de tomate, condimentos e leite integral. Estes alimentos são irritantes da mucosa gástrica.
  • Evitar comer até duas horas antes do horário de dormir (deitar).
  • Evitar refeições copiosas. O melhor é fazer refeições fracionadas, mais vezes ao dia, bem como evitar permanecer em jejum mais do que 4 horas seguidas.
  • Parar de fumar.
  • Emagrecimento.

Por vezes, o tratamento cirúrgico pode ser recomendado pelo médico, dependendo das indicações dependendo das complicações associadas.

Quais são as complicações da doença?

As complicações mais comuns são:

  • Esofagite: inflamação do esôfago
  • Estenose: redução do calibre do esôfago, tornando difícil a deglutição de alimentos sólidos.
  • Úlcera: aparecimento de uma ferida aberta no esôfago.
  • Esôfago de Barrett: substituição do epitélio do esôfago por epitélio de células semelhantas às do estômago para suportar a acidez.
  • Sangramento esofágico: costuma ser lento e muitas vezes responsável por quadros de anemia crônica. O tratamento clínico constitui a melhor opção de tratamento.
  • Câncer de esôfago: o Esôfago de Barrett pode evoluir para o câncer de esôfago em 2 a 5 por cento das pessoas com esta condição.

Tratamento Cirúrgico da Obesidade

Imagem Tratamento Cirúrgico da Obesidade

A obesidade é uma das doenças que mais crescem em todo o mundo. Pacientes com IMC (índice de massa corpórea) maior ou igual a 30 são considerados obesos, para esses pacientes além da dieta oral temos a opção do tratamento cirúrgico da obesidade.Paciente que fzeram tratamento clinico por mais de dois anos e não obteve sucesso, ou paciente que apresente alguma doença associada a obesidade com hipertensão arterial,diabetes e ate mesmo problemas ortopédicos, possuem indicação para o tratamento cirúrgico. Consulte seu medico.

Gastrite

Dra. Aline Kusumoto

crm-sp: 155.052

Gastroenterologista, cirurgiã do Aparelho digestivo e coloproctologista

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Dra. Aline Kusumoto
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